Conforme bem lembrado por um leitor do meu blog, em 2006 dei uma entrevista ao Correio de Uberlândia, tratando do tema da existência de grande quantidade de vagas na área de TI sem candidatos com qualificação mínima aos cargos.
Naquela época eu e outros profissionais de TI de Uberlândia apontávamos para o problema da baixa qualidade do ensino superior na região, o que na verdade é um problema nacional.
Vale dar uma lida. O tema continua atual.
IT, Information Security, System Archictecture, Cloud Computing and nerd stuff.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
Os rumos da educação em TI
Esse é um dos assuntos que mais me interessam e motivam. Primeiro, por que sou professor de cursos de graduação e pós-graduação há mais de 10 anos. Segundo, por que são estes profissionais recém-saídos das faculdades a massa crítica em que fico de olho para cobrir as vagas disponíveis nos times sob minha gestão e para encaminhar aos clientes para quem presto consultoria.
Desde que iniciei minha vida acadêmica em 1989, ainda como aluno do curso de engenharia eletrônica, ficou evidente um forte distanciamento entre as universidades e as empresas. De um lado, as empresas não tinham um foco em P&D (pesquisa e desenvolvimento) e, como resultado, muitas utilizavam tecnologias desatualizadas, perdiam oportunidade de melhorar seus processos pela falta de contato com novas tecnologias e de se beneficiarem de processos de inovação que são nativos dentro dos ambientes acadêmicos. Do outro lado, as faculdades acabavam oferecendo uma abordagem para o conteúdo das disciplinas bastante distante da realidade de mercado, o que é até hoje suportado por uma política educacional retrógrada que restringe a participação de professores universitários (das federais) em atividades de consultoria e projetos junto às empresas. Para quem não sabe, em geral os professores universitários federais estão sujeitos a uma modalidade de contratação que os coloca no regime de "DE" (dedicação exclusiva), o que os proíbe de atuar no mercado ou quando permite, através de unidades de fomento dentro das universidades, restringe em muito os valores recebidos pelos pesquisadores nestas "consultorias", o que acaba por desmotivá-los.
Em 1996 iniciei minha experiência como professor de cursos de graduação e pós-graduação em computação, em cursos de 5 anos de duração em algumas faculdades particulares. Foi uma experiência extremamente gratificante pois a inclusão de temas "da crista da onda" em sala de aula, com uma abordagem voltada para a aplicação no mercado, era algo muito bem recebido. Foi assim que tive a oportunidade de implantar o ensino da UML ainda em 1997 e do desenvolvimento em JavaEE no começo do ano 2000, quando poucas empresas mal falavam do assunto. Foi também esse relacionamento faculdade-empresa que me deu a oportunidade de levar os conteúdos de sala de aula para aplicações do mundo real, através dos trabalhos de consultoria.
Infelizmente ao longo dos anos veio ocorrendo um processo de massificação da educação da educação superior, o que seria algo extremamente positivo se não viesse acompanhada de uma redução proporcional da qualidade e da quantidade do conteúdo abordado.
Com a desculpa de buscar uma “adaptação às exigências do mercado”, as faculdades iniciaram um processo de redução da duração dos cursos de graduação, chegando ao absurdo de encontrarmos anúncios de “graduação em 2 anos” ou “graduação mais uma pós-graduação em 3 anos”. As faculdades apresentam sua defesa afirmando que estes cursos focam as pessoas que já estão no mercado e que não tem um diploma, mas para esta desculpa ser válida o processo seletivo para ingresso nestes cursos deveria incluir uma avaliação criteriosa da experiência de mercado destas pessoas, só que isto não ocorre. Qualquer um entra nestes cursos.
Infelizmente estes ingressantes são iludidos com a falsa promessa de que o diploma lhes garantirá um emprego. Triste ilusão. Atualmente as empresas, principalmente de TI, estão focando num processo seletivo rigoroso, que avalia conhecimento técnico, formação e experiência. Conheço vários executivos que excluem de imediato os candidatos sem experiência de mercado que fizeram cursos de duração inferior a 4 anos.
O fato é que o mercado de TI é um dos mercados mais competitivos que existem. A todo ano surgem novas tecnologias e se você não estiver atualizado dificilmente conseguirá manter-se em boa posição ao longo do tempo, mesmo que você esteja focando uma posição gerencial. As posições gerenciais em TI, além do conhecimento de gestão de projetos, pessoas e negócios, exigem forte embasamento técnico para que a comunicação com o time ocorra de forma tranquila.
Se você é um profissional com experiência de vários anos de mercado mas não tem uma formação universitária, procure uma faculdade que realmente forneça conteúdo de qualidade para suportar sua experiência. Conheço muitos bons profissionais, técnicos com vários anos de experiência, que empacam quando surgem temas como teste de stress, complexidade algoritmica, desenvolvimento multi-threading, estruturas de dados e temas afins que são ferramentas que esperamos que um bom técnico domine e que, vez por outra, são requeridas para a solução de problemas.
Se você está para ingressar na faculdade, fique esperto. Estude a estrutura do curso, discuta as ementas com amigos com boa formação e que sejam atuantes no mercado. Verifique o corpo docente. Em TI é fundamental uma boa formação acadêmica aliada a uma forte experiência de mercado. Professores sem este perfil dificilmente contribuirão com a sua formação. E prepare-se para estudar muito, mas muito, fora da sala de aula.
E, finalmente, lembre-se que para toda regra existem exceções. Temos sim faculdades particulares excelentes. Temos sim professores formados em faculdades de 2ª linha que são excelentes. Mas, infelizmente, são exceções.
Desde que iniciei minha vida acadêmica em 1989, ainda como aluno do curso de engenharia eletrônica, ficou evidente um forte distanciamento entre as universidades e as empresas. De um lado, as empresas não tinham um foco em P&D (pesquisa e desenvolvimento) e, como resultado, muitas utilizavam tecnologias desatualizadas, perdiam oportunidade de melhorar seus processos pela falta de contato com novas tecnologias e de se beneficiarem de processos de inovação que são nativos dentro dos ambientes acadêmicos. Do outro lado, as faculdades acabavam oferecendo uma abordagem para o conteúdo das disciplinas bastante distante da realidade de mercado, o que é até hoje suportado por uma política educacional retrógrada que restringe a participação de professores universitários (das federais) em atividades de consultoria e projetos junto às empresas. Para quem não sabe, em geral os professores universitários federais estão sujeitos a uma modalidade de contratação que os coloca no regime de "DE" (dedicação exclusiva), o que os proíbe de atuar no mercado ou quando permite, através de unidades de fomento dentro das universidades, restringe em muito os valores recebidos pelos pesquisadores nestas "consultorias", o que acaba por desmotivá-los.
Em 1996 iniciei minha experiência como professor de cursos de graduação e pós-graduação em computação, em cursos de 5 anos de duração em algumas faculdades particulares. Foi uma experiência extremamente gratificante pois a inclusão de temas "da crista da onda" em sala de aula, com uma abordagem voltada para a aplicação no mercado, era algo muito bem recebido. Foi assim que tive a oportunidade de implantar o ensino da UML ainda em 1997 e do desenvolvimento em JavaEE no começo do ano 2000, quando poucas empresas mal falavam do assunto. Foi também esse relacionamento faculdade-empresa que me deu a oportunidade de levar os conteúdos de sala de aula para aplicações do mundo real, através dos trabalhos de consultoria.
Infelizmente ao longo dos anos veio ocorrendo um processo de massificação da educação da educação superior, o que seria algo extremamente positivo se não viesse acompanhada de uma redução proporcional da qualidade e da quantidade do conteúdo abordado.
Com a desculpa de buscar uma “adaptação às exigências do mercado”, as faculdades iniciaram um processo de redução da duração dos cursos de graduação, chegando ao absurdo de encontrarmos anúncios de “graduação em 2 anos” ou “graduação mais uma pós-graduação em 3 anos”. As faculdades apresentam sua defesa afirmando que estes cursos focam as pessoas que já estão no mercado e que não tem um diploma, mas para esta desculpa ser válida o processo seletivo para ingresso nestes cursos deveria incluir uma avaliação criteriosa da experiência de mercado destas pessoas, só que isto não ocorre. Qualquer um entra nestes cursos.
Infelizmente estes ingressantes são iludidos com a falsa promessa de que o diploma lhes garantirá um emprego. Triste ilusão. Atualmente as empresas, principalmente de TI, estão focando num processo seletivo rigoroso, que avalia conhecimento técnico, formação e experiência. Conheço vários executivos que excluem de imediato os candidatos sem experiência de mercado que fizeram cursos de duração inferior a 4 anos.
O fato é que o mercado de TI é um dos mercados mais competitivos que existem. A todo ano surgem novas tecnologias e se você não estiver atualizado dificilmente conseguirá manter-se em boa posição ao longo do tempo, mesmo que você esteja focando uma posição gerencial. As posições gerenciais em TI, além do conhecimento de gestão de projetos, pessoas e negócios, exigem forte embasamento técnico para que a comunicação com o time ocorra de forma tranquila.
Se você é um profissional com experiência de vários anos de mercado mas não tem uma formação universitária, procure uma faculdade que realmente forneça conteúdo de qualidade para suportar sua experiência. Conheço muitos bons profissionais, técnicos com vários anos de experiência, que empacam quando surgem temas como teste de stress, complexidade algoritmica, desenvolvimento multi-threading, estruturas de dados e temas afins que são ferramentas que esperamos que um bom técnico domine e que, vez por outra, são requeridas para a solução de problemas.
Se você está para ingressar na faculdade, fique esperto. Estude a estrutura do curso, discuta as ementas com amigos com boa formação e que sejam atuantes no mercado. Verifique o corpo docente. Em TI é fundamental uma boa formação acadêmica aliada a uma forte experiência de mercado. Professores sem este perfil dificilmente contribuirão com a sua formação. E prepare-se para estudar muito, mas muito, fora da sala de aula.
E, finalmente, lembre-se que para toda regra existem exceções. Temos sim faculdades particulares excelentes. Temos sim professores formados em faculdades de 2ª linha que são excelentes. Mas, infelizmente, são exceções.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Afinal de contas o que é TI?
Uma dúvida recorrente no meio acadêmico e profissional ligado à computação e sistemas de informação é o escopo real de TI. Quando falamos de TI estamos falando de sistemas ou de hardware? Infra-estrutura está no escopo ou "é" o escopo? Desenvolvimento de sistemas faz parte de TI? Engenharia de Software faz parte de TI?
Bem, existe uma definição oficial do tema. Segundo a Information Technology Association of America (ITAA), TI é "o estudo, projeto, desenvolvimento, implementação, suporte e gerenciamento de sistemas de informação baseado em computador, particularmente aplicações de software e hardware de computador".
Assim sendo, qualquer atividade que esteja focada na produção de sistemas ou na infra-estrutura que os suporte, desde o planejamento até a manutenção da produção, está no escopo de TI.
Então se você desenvolve, é consultor de metodologias, engenheiro de software, administrador de sistema, DBA, administrador de storage, analista de qualidade de sistemas, analista de teste, especialista de comunicação... enfim, qualquer papel exercido que contribua de forma direta para o desenvolvimento e manutenção da produção de sistemas de informação baseados em computador está no escopo de TI.
sábado, 3 de janeiro de 2009
XBRL
Já ouviu falar de XBRL? Não? Então fique de olho.
Em 17/12/2008, por 4 votos a 1, a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA determinou que as 500 maiores companhias listadas na bolsa devem, a partir de meados de 2009, passar a elaborar seus relatórios utilizando a tecnologia conhecida como XBRL, ou extensible business reporting language.
Lembrando que o ano fiscal americano inicia em julho, isso é um indicativo que a partir segundo semestre de 2009 a regra já estará valendo. Segundo a comissão, as demais empresas também passarão a ter a mesma exigência dentro de um período de dois anos. A SEC também votou de forma favorável para que fundos mútuos arquivem suas informações de risco e retorno usando o XBRL, para tornar mais fácil a avaliação da performance, risco e seus orçamentos.
Como consta no site do consórcio, a "XBRL está sendo desenvolvida por um consórcio internacional sem fins lucrativos composto por aproximadamente 450 grandes companhias, organizações e agências governamentais. É um padrão aberto, livre de honorários".
Como se identifica pelo nome, a XBRL pertence à família da XML e seu propósito definir padrões estruturais para relatórios e demonstrativos financeiros e contábeis, facilitando o intercâmbio destas informações entre organizações, departamentos e com o governo, facilitando a troca, o processamento, comparações e análises. Dentro os tags definidos podemos citar um tag para identificar a moeda, o tipo de dado, contexto de negócio e por aí vai.
Veja o exemplo a seguir extraído do site do consórcio. Abaixo, o relatório que se deseja representar em XBRL
e aqui, o equivalente em XBRL:

Assim como vem acontecendo com os profiles XML, a XBRL já traz algumas taxonomias de relatórios aprovadas e reconhecidas pelo consórcio específicas para alguns países e necessidades de mercado, como por exemplo para relatórios de responsabilidade social e bancos.
Quem já trabalhou com troca de informações financeiras entre instituições, principalmente quando são baseados em moedas diferentes, sabe a dor de cabeça que é construir os parsers e as regras de transformação para cada caso. Com o uso de XBRL esta é uma tarefa que só precisará ser feita uma vez e de forma muito mais simplificada.
A IBM já recomendou a XBRL como base para um padrão global de prestação de contas sobre risco, agilizando a análise de mercados e da saúde das empresas, com destaque para aquelas de capital aberto.
Portanto, é provável que XBRL se torne um padrão de mercado e que venha a ser largamente utilizado não só para as trocas de informação inter-empresas, mas também dentro das próprias organizações, facilitando o armazenamento e a carga de informações para bases OLAP.
Para mais informações:
Consórcio XBRL - http://www.xbrl.org/
http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=53623
Em 17/12/2008, por 4 votos a 1, a Securities and Exchange Commission (SEC) dos EUA determinou que as 500 maiores companhias listadas na bolsa devem, a partir de meados de 2009, passar a elaborar seus relatórios utilizando a tecnologia conhecida como XBRL, ou extensible business reporting language.
Lembrando que o ano fiscal americano inicia em julho, isso é um indicativo que a partir segundo semestre de 2009 a regra já estará valendo. Segundo a comissão, as demais empresas também passarão a ter a mesma exigência dentro de um período de dois anos. A SEC também votou de forma favorável para que fundos mútuos arquivem suas informações de risco e retorno usando o XBRL, para tornar mais fácil a avaliação da performance, risco e seus orçamentos.
Como consta no site do consórcio, a "XBRL está sendo desenvolvida por um consórcio internacional sem fins lucrativos composto por aproximadamente 450 grandes companhias, organizações e agências governamentais. É um padrão aberto, livre de honorários".
Como se identifica pelo nome, a XBRL pertence à família da XML e seu propósito definir padrões estruturais para relatórios e demonstrativos financeiros e contábeis, facilitando o intercâmbio destas informações entre organizações, departamentos e com o governo, facilitando a troca, o processamento, comparações e análises. Dentro os tags definidos podemos citar um tag para identificar a moeda, o tipo de dado, contexto de negócio e por aí vai.
Veja o exemplo a seguir extraído do site do consórcio. Abaixo, o relatório que se deseja representar em XBRL
e aqui, o equivalente em XBRL:
Assim como vem acontecendo com os profiles XML, a XBRL já traz algumas taxonomias de relatórios aprovadas e reconhecidas pelo consórcio específicas para alguns países e necessidades de mercado, como por exemplo para relatórios de responsabilidade social e bancos.
Quem já trabalhou com troca de informações financeiras entre instituições, principalmente quando são baseados em moedas diferentes, sabe a dor de cabeça que é construir os parsers e as regras de transformação para cada caso. Com o uso de XBRL esta é uma tarefa que só precisará ser feita uma vez e de forma muito mais simplificada.
A IBM já recomendou a XBRL como base para um padrão global de prestação de contas sobre risco, agilizando a análise de mercados e da saúde das empresas, com destaque para aquelas de capital aberto.
Portanto, é provável que XBRL se torne um padrão de mercado e que venha a ser largamente utilizado não só para as trocas de informação inter-empresas, mas também dentro das próprias organizações, facilitando o armazenamento e a carga de informações para bases OLAP.
Para mais informações:
Consórcio XBRL - http://www.xbrl.org/
http://www.itweb.com.br/noticias/index.asp?cod=53623
sexta-feira, 2 de janeiro de 2009
Você é político dentro de sua empresa ?
Vamos começar 2009 abordando um tema dos mais chatos, subjetivos e, apesar disso, importantes para o mundo dos negócios: a política dentro das organizações.
Na sua raiz, política refere-se às relações em sociedade e à "felicidade coletiva". O tema está nas bases da filosofia, sendo atribuída ao caríssimo Aristóteles a famosa frase "o homem é um animal político".
Uma organização é um ecossistema suportado por leis e regras próprias daquele ambiente, moldadas pelo mercado e pelas pessoas nele inseridas. Com o passar do tempo, as organizações começam a sedimentar posturas éticas e comportamentais de grupo próprias, particulares, formando aquilo que chamamos de "cultura organizacional".
Dentro deste ambiente, o profissional deve guiar suas ações por duas linhas. Uma, objetiva, consiste em aplicar seu conhecimento e experiência, no caráter técnico e organizacional, visando alcançar os objetivos da organização (normalmente suportados por um planejamento estratégico). Neste contexto, o profissional é uma das engrenagens que faz a máquina corporativa funcionar. No entanto existe uma outra linha, subjetiva, onde o profissional tem que orquestrar os relacionamentos dentro da empresa, buscando suporte às suas idéias e ações, por parte dos superiores, pares e subordinados, para que consiga executar de forma eficiente suas atividades.
À primeira vista, para quem tem uma mente mais objetiva, ficamos imaginando por que precisamos de "convencimento", "apoio", "relacionamento" para conseguir trabalhar direito, partindo da premissa que nossas ações estão embasadas num desdobramento tático de um plano estratégico corporativo.
Ora, felizmente ou infelizmente não estamos lidando com máquinas. As pessoas possuem ego, interesses pessoais, afetos e desafetos e até variações de humor que podem afetar o desempenho das relações profissionais, do ponto de vista do resultado corporativo. Existem as desavenças departamentais, quando por exemplo o diretor de compras simplemente odeia o diretor de logística (talvez não torçam para o mesmo time) e por isso faz de tudo para empacar as demandas da área de logistica, obviamente sempre dando um jeitinho de deixar claro que a culpa pelos atrasos e problemas foi alguma incompetência da área desafeta.
Outro ponto importante é a cultura. Existem organizações que estimulam a cooperação, enquanto em outras há o "status quo" de que todo mundo tem que implorar para conseguir apoio a suas atividades.
Infelizmente é uma verdade com que temos que conviver e faz parte sim da maturidade profissional aprender a navegar nesse mar de incertezas comportamentais. No entanto certamente iremos passar por ambientes onde será impossível manter-se inserido na cultura (ou seja, o nosso santo não bate com o da empresa). Nestes casos, sinceramente, entre a felicidade da empresa e a minha, fico com a última e vou embora para o mercado.
Para finalizar, vamos citar Max Gehringer, num artigo de 2006 para a revista Época, quando respondeu o que significa ser político dentro de uma empresa:
"É fazer o que os políticos de verdade fazem, com aquela competência pegajosa:
Ou seja, é ter muito, mas muito saco. Mesmo as mulheres.
Na sua raiz, política refere-se às relações em sociedade e à "felicidade coletiva". O tema está nas bases da filosofia, sendo atribuída ao caríssimo Aristóteles a famosa frase "o homem é um animal político".
Uma organização é um ecossistema suportado por leis e regras próprias daquele ambiente, moldadas pelo mercado e pelas pessoas nele inseridas. Com o passar do tempo, as organizações começam a sedimentar posturas éticas e comportamentais de grupo próprias, particulares, formando aquilo que chamamos de "cultura organizacional".
Dentro deste ambiente, o profissional deve guiar suas ações por duas linhas. Uma, objetiva, consiste em aplicar seu conhecimento e experiência, no caráter técnico e organizacional, visando alcançar os objetivos da organização (normalmente suportados por um planejamento estratégico). Neste contexto, o profissional é uma das engrenagens que faz a máquina corporativa funcionar. No entanto existe uma outra linha, subjetiva, onde o profissional tem que orquestrar os relacionamentos dentro da empresa, buscando suporte às suas idéias e ações, por parte dos superiores, pares e subordinados, para que consiga executar de forma eficiente suas atividades.
À primeira vista, para quem tem uma mente mais objetiva, ficamos imaginando por que precisamos de "convencimento", "apoio", "relacionamento" para conseguir trabalhar direito, partindo da premissa que nossas ações estão embasadas num desdobramento tático de um plano estratégico corporativo.
Ora, felizmente ou infelizmente não estamos lidando com máquinas. As pessoas possuem ego, interesses pessoais, afetos e desafetos e até variações de humor que podem afetar o desempenho das relações profissionais, do ponto de vista do resultado corporativo. Existem as desavenças departamentais, quando por exemplo o diretor de compras simplemente odeia o diretor de logística (talvez não torçam para o mesmo time) e por isso faz de tudo para empacar as demandas da área de logistica, obviamente sempre dando um jeitinho de deixar claro que a culpa pelos atrasos e problemas foi alguma incompetência da área desafeta.
Outro ponto importante é a cultura. Existem organizações que estimulam a cooperação, enquanto em outras há o "status quo" de que todo mundo tem que implorar para conseguir apoio a suas atividades.
Infelizmente é uma verdade com que temos que conviver e faz parte sim da maturidade profissional aprender a navegar nesse mar de incertezas comportamentais. No entanto certamente iremos passar por ambientes onde será impossível manter-se inserido na cultura (ou seja, o nosso santo não bate com o da empresa). Nestes casos, sinceramente, entre a felicidade da empresa e a minha, fico com a última e vou embora para o mercado.
Para finalizar, vamos citar Max Gehringer, num artigo de 2006 para a revista Época, quando respondeu o que significa ser político dentro de uma empresa:
"É fazer o que os políticos de verdade fazem, com aquela competência pegajosa:
- Aprender a engolir sapos, e ainda pedir para repetir o prato;
- Saber costurar alianças profissionais, mesmo que a outra pessoa seja detestável;
- Aceitar as críticas com ar de humildade;
- Não se prevalecer de um cargo, ou de uma situação, para humilhar ou menosprezar colegas;
- Elogiar quem mercer um elogio;
- Dar sempre a impressão de que está disposto a colaborar;
- Ser um bom ouvinte.
Ou seja, é ter muito, mas muito saco. Mesmo as mulheres.
Planejamento 2009
Vamos começar 2009 reativando o blog, que ficou dois meses parados para uma pequena "revisão de posicionamento", se é que podemos dizer isto.
O foco do blog continua o mesmo - a fascinante área onde tecnologia e negócios se tocam - e vou fazer no mínimo postagens semanais.
Vou tentar equilibrar o teor técnico incluindo temas que envolvem o aspectos de posicionamento profissional, gestão e mercado.
Em breve irei iniciar um outro blog, mais voltado às coisas da vida (filosofia barata?)... então, aviso a vocês.
Espero que meus textos sejam boas contribuições para vocês.
Abraços e que 2009 seja um sucesso para todos nós!
O foco do blog continua o mesmo - a fascinante área onde tecnologia e negócios se tocam - e vou fazer no mínimo postagens semanais.
Vou tentar equilibrar o teor técnico incluindo temas que envolvem o aspectos de posicionamento profissional, gestão e mercado.
Em breve irei iniciar um outro blog, mais voltado às coisas da vida (filosofia barata?)... então, aviso a vocês.
Espero que meus textos sejam boas contribuições para vocês.
Abraços e que 2009 seja um sucesso para todos nós!
terça-feira, 23 de setembro de 2008
WhiteSpace - Programação com caracteres invisíveis
Tive oportunidade de trabalhar com várias linguagens de programação, entre elas o assembly do Z-81, FORTRAN, COBOL, C, C++, Forth, Haskel, Trilogy, Java e outras menos conhecidas. Por isso sempre acompanhei com interesse os debates fervorosos sobre qual é a melhor linguagem e sempre li sobre o surgimento de novidades no assunto.
Há uma semana meu irmão me contou uma que eu desconhecia e, a princípio, não acreditei.
Imagine uma linguagem de programação baseada em caracteres que não podem ser impressos? Essa é a WhiteSpace, uma linguagem criada por uns malucos da Durham University/UK, onde todas as construções utilizam apenas tabs, espaços e caracteres de nova linha (CRLF).
Para piorar, o artigo que lançou a linguagem foi publicado em 01/Abril/2003. Piada de primeiro de abril? Que nada.. a coisa existe mesmo... tem interpretador para baixar e usar.
Não vou colocar um trecho de código aqui por razões óbvias mas convido os amigos a visitarem a página destes insanos e apreciarem os vários exemplos. E quem implementar um editor de texto com a linguagem me avise que vamos providenciar um prêmio (ou uma internação).
Há uma semana meu irmão me contou uma que eu desconhecia e, a princípio, não acreditei.
Imagine uma linguagem de programação baseada em caracteres que não podem ser impressos? Essa é a WhiteSpace, uma linguagem criada por uns malucos da Durham University/UK, onde todas as construções utilizam apenas tabs, espaços e caracteres de nova linha (CRLF).
Para piorar, o artigo que lançou a linguagem foi publicado em 01/Abril/2003. Piada de primeiro de abril? Que nada.. a coisa existe mesmo... tem interpretador para baixar e usar.
Não vou colocar um trecho de código aqui por razões óbvias mas convido os amigos a visitarem a página destes insanos e apreciarem os vários exemplos. E quem implementar um editor de texto com a linguagem me avise que vamos providenciar um prêmio (ou uma internação).
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